4 de Março – Dia do HPV

Postado por: Eduardo Fregatto
GRUPO HPV-MS

A infecção pelo Papilomavírus humano (HPV) é frequentemente transmitida pela relação sexual vaginal, anal ou oral, sendo considerada uma das principais infecções sexualmente transmissíveis (IST) em homens e mulheres no mundo. As mulheres jovens são mais vulneráveis ao HPV e é mais prevalente em adultos jovens que estão iniciando sua atividade sexual.

A maioria dos indivíduos infectados eliminam o vírus sem o desenvolvimento de manifestações clínicas conhecidas. No entanto, 10% a 20% dos indivíduos infectados pelo HPV não conseguem eliminar o vírus, podendo levar ao desenvolvimento de lesões pré-malignas, que podem progredir para o câncer cervical invasivo. No Brasil, o câncer cervical é a terceira causa mais comum de câncer em mulheres, e a infecção pelo HPV representa o principal fator de risco para o desenvolvimento desta doença.

O HPV pode ser classificado de acordo com seu envolvimento na evolução de lesões benignas ou malignas, respectivamente, em tipos de baixo risco e tipos de alto risco oncogênico. Os tipos de baixo risco oncogênico estão associados a presença de verrugas anogenitais, que são benignas, com tendência muito limitada para progressão maligna, sendo causada principalmente pelo HPV 6 e 11. Os tipos de alto risco oncogênico apresentam forte associação com lesões cervicais pré-malignas e malignas, sendo especialmente causadas pelos HPV 16 e 18.

Geralmente o HPV não apresenta sintomas e, portanto, o principal exame para o diagnóstico das lesões causadas pelo HPV é o Papanicolau, considerado um método não molecular. Os métodos não moleculares, não detectam o vírus do HPV, mas sim as alterações celulares decorrentes da infecção viral, sendo, portanto, considerados sugestivos de infecção e menos sensíveis. Dentre eles, destacam-se a citopatologia e a histopatologia. O vírus do HPV pode ser detectado por métodos moleculares que são mais sensíveis e detectam a presença do vírus mesmo na ausência de lesão no colo do útero.

No Brasil estima-se que para cada ano do biênio de 2018-2019 são esperados 16.370 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres, sendo a região Norte com mais casos novos (25,62/100 mil). Nas Regiões Nordeste (20,47/100 mil) e Centro-Oeste (18,32/100 mil), ocupa a segunda posição mais frequente; enquanto, nas Regiões Sul (14,07/100 mil) e Sudeste (9,97/100 mil), ocupa a quarta posição.

A principal forma de prevenção do HPV é a vacinação. O Ministério da Saúde programou no calendário de vacinação a vacina quadrivalente que deve ser administrada em meninas na faixa etária de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, que receberão duas doses (0 e 6 meses) com intervalo de seis meses, e mulheres vivendo com HIV na faixa etária de 9 a 26 anos, que receberão três doses (0, 2 e 6 meses).

Existem três vacinas disponíveis no mercado, que são: (I) Cervarix (GlaxoSmithKline), uma vacina bivalente (2-V) direcionada ao HPV16 e 18, (II) Gardasil (Merck Inc.), uma vacina quadrivalente (4-V) direcionada aos tipos HPV16/18 e também tipos de baixo risco HPV 6 e 11 e (III) Gardasil 9 (Merck Inc.), uma vacina nonavalente (9-V) direcionada ao HPV6/11/16/18 e os próximos cinco tipos mais carcinogênicos HPV31/33/45/52/58. Todas as três vacinas provaram ser altamente eficazes.

A vacinação, em conjunto com o exame preventivo (Papanicolaou), se completam como ações de prevenção do câncer de colo de útero decorrentes da infecção pelo HPV. Porém, a vacina quadrivalente não protege contra os outros tipos de HPV nem contra as outras infecções sexualmente transmissíveis. O uso de preservativos continua sendo imprescindível para prevenir as ISTs. Ressalta-se que mulheres vacinadas deverão fazer o exame preventivo periodicamente, pois podem se infectar por outros tipos que a vacina não protege.

 

Membros do Grupo HPV-MV:

  • Inês Aparecida Tozetti – Coordenadora – INBIO/UFMS
  • Alda Maria Teixeira Ferreira – colaboradora – INBIO/UFMS
  • Cacilda Tezelli Junqueira Padovani – coordenadora – INBIO/UFMS
  • Carlos Eurico dos Santos Fernandes – colaborador – INBIO/UFMS
  • Camila Mareti Bonin Jacob – colaboradora – INBIO/UFMS
  • Larissa Zatorre Almeida Lugo – Doutoranda – PPGDIP/FAMED/UFMS
  • Andrielli Rodrigues dos Santos –Mestranda – PMBqBM/INBIO/UFMS
  • Mariana Mayumi Tadokoro – Mestranda – PMBqBM/INBIO/UFMS
  • Aron Carlos De Melo Cotrim – Doutorando – PMBqBM/INBIO/UFMS
  • Simone Bertozi de Souza Vasconcelos – Doutoranda – PPG Saúde e Desenvolvimento da Região Centro-Oeste /FAMED/UFMS
  • Maisa Tupiná – PBIC – graduação Medicina
  • Milena Sounshine Souza – PBIC – graduação Farmácia

Maria Gabrielle dos Santos Correa – PBIC – graduação Farmácia